2014 / Social / Artigo

Novo Regime Demográfico uma nova relação entre população e desenvolvimento?

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Autor(es):

Governo Federal
Secretaria de Assuntos Estratégicos
da Presidência da República
Ministro – Marcelo Côrtes Neri
Presidente

IPEA: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Fundação pública vinculada à Secretaria de Assuntos
Estratégicos, o Ipea fornece suporte técnico e institucional
às ações governamentais – possibilitando a formulação de
inúmeras políticas públicas e de programas de desenvolvimento
brasileiro – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e
estudos realizados por seus técnicos.


Sergei Suarez Dillon Soares
Diretor de Desenvolvimento Institucional
Luiz Cezar Loureiro de Azeredo
Diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições
e da Democracia
Daniel Ricardo de Castro Cerqueira
Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas
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Diretor de Estudos e Políticas Regionais,
Urbanas e Ambientais
Rogério Boueri Miranda
Diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação,
Regulação e Infraestrutura
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Diretor de Estudos e Políticas Sociais
Herton Ellery Araújo
Diretor de Estudos e Relações Econômicas
e Políticas Internacionais
Renato Coelho Baumann das Neves
Chefe de Gabinete
Bernardo Abreu de Medeiros
Assessor-Chefe de Imprensa e Comunicação
João Cláudio Garcia Rodrigues Lima

Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria
URL: http://www.ipea.gov.br

Data da Publicação:2014

Dimensão: Social
Tipo: Artigo
A população é frequentemente vista como um problema. Se cresce rapidamente, teme-se a explosão demográfica; se declina, haverá queda do crescimento econômico; se envelhece, aumentará o peso sobre as contas públicas. O que a demógrafa Ana Amélia Camarano, organizadora deste livro, sugere é simples: vermos a dinâmica da população, em cada um dos estágios, como um dado da realidade ao qual nos adaptar. A população é a essência das nações, não existe nação sem povo. Portanto, a sugestão é a de que estudemos mais o assunto. Este livro, que comemora os 50 anos do Ipea, analisa, pelos mais variados ângulos, esse instigante tema. Chega em excelente hora. O amadurecimento do Brasil exige, de toda a sociedade, um esforço mais profundo para entender o que realmente está acontecendo conosco, o que está contratado para ocorrer no futuro e os fatos dissonantes. As surpresas que nos trazem os estudos de população são inesgotáveis, principalmente quando os demógrafos se juntam aos economistas para fazer seus estudos e cruzar os dados. Se a população está vivendo mais, é claro que as pessoas estão saindo mais tarde do mercado de trabalho. Não no Brasil. Os homens estão saindo mais cedo e alguns não por aposentadoria; ficam sem trabalho pelas barreiras impostas pelo preconceito. Isso não é compatível com o nosso regime demográfico, alerta o livro. O mercado de trabalho reclama de falta de mão de obra e barra os trabalhadores maduros que, em poucas décadas, serão metade da população. Se o percentual de jovens está caindo, a tendência será a de diminuir o número total de mortes por causas externas – acidentes ou crimes –, que atingem principalmente os rapazes. Essa é a lógica, mas, apesar de ter havido queda de 4% na proporção de jovens de 15 a 29 anos entre 1991 e 2010, a taxa de homicídios nessa faixa aumentou 30%. As mulheres estão ampliando sua entrada no mercado de trabalho? Sim, isso aconteceu até 2008 e de lá começou a declinar. Um dos motivos é a necessidade de mulheres, em idade produtiva, na atenção aos mais velhos da família. Com o envelhecimento da população, cuidar de idosos com doenças incapacitantes continuará sendo apenas responsabilidade da família? Uma população mais velha, como seremos nas próximas décadas, terá uma pegada ecológica menor pelos seus hábitos de consumo. É o que mostra um dos estudos. Os eventos extremos das mudanças climáticas, no entanto, afetarão mais os idosos. Há uma série de perguntas e constatações interessantes neste livro que obriga o leitor a pensar seriamente sobre as políticas públicas e as decisões privadas diante de um país no qual a realidade populacional muda constantemente. É inevitável fazer as contas do peso fiscal. Entre 1990 e 2012, o número de beneficiários da seguridade social teve um aumento 24% maior do que o crescimento da população de 60 anos ou mais. Nos próximos quarenta anos, o total de benefícios pode ser multiplicado por 3,3 vezes. Podemos continuar adiando a análise sincera do que fazer a respeito, mas será uma escolha extremamente perigosa. Ao analisar as projeções de curto prazo da população, os autores concluem que “pode-se esperar para as próximas duas décadas uma diminuição da população de todos os estratos de renda, exceto dos mais pobres”. As famílias de renda mais baixa estão tendo menos filhos do que antes, mesmo assim no curto prazo esse grupo tende a crescer. Diante disso, o país tem uma única saída boa: aumentar a escolaridade dos filhos dos pobres. Só assim será possível garantir o desenvolvimento do país. Este é afinal o sentido deste livro: estudar a população e o desenvolvimento, ou seja, responder que impactos terão sobre o crescimento econômico as mudanças populacionais que viveremos nas próximas décadas e, por outro lado, como garantir o desenvolvimento diante do que já está fadado a acontecer no Brasil. A melhor atitude é sempre ver a dinâmica da população não como algo a temer, mas como um dado para o qual teremos que nos preparar. O leitor verá, diante dos 21 estudos de 25 autores, que este livro presta uma contribuição inestimável a quem quer entender o Brasil e influenciar seu futuro. Miriam Leitão Jornalista e escritora

Novo regime demográfico: uma nova relação entre população
e desenvolvimento ? / Ana Amélia Camarano (Organizadora).
– Rio de Janeiro : Ipea, 2014.
658 p.: il.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7811-229-5
1. Dinâmica da População. 2. Demografia. 3. Mercado de Trabalho.
4. Brasil. I. Camarano, Ana Amélia. II. Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada.
CDD 304.6

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