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Oficina do Projeto Brasil 2035 aponta desafios para bioeconomia

Autor(es):

Eduardo Rodrigues - Secom/Embrapa

Data da Publicação:27/03/2016

Dimensão: Econômica
Tipo: Artigo
A Embrapa sediou nesta terça-feira (26) uma Oficina Temática em Bioeconomia do Projeto Brasil 2035

A Embrapa sediou nesta terça-feira (26) uma Oficina Temática em Bioeconomia do Projeto Brasil 2035 – Construindo hoje o país de amanhã, que integra a Plataforma Brasil 2100, coordenada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e da qual a Embrapa é uma das instituições parceiras.

Promovida pela Secretaria de Inteligência e Macroestratégia (SIM) e pela Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Institucional (SGI), a oficina contou com a presença do presidente da Empresa, Maurício Lopes, e de 50 pesquisadores e técnicos de 26 instituições como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Confederação Nacional da Indústria (CNI), ministérios, universidades, empresas privadas e de Unidades da Embrapa.

Em sua fala na abertura da oficina, Maurício Lopes destacou a importância da bioeconomia para a Embrapa e o futuro da agropecuária tropical. "Hoje esse tema está muito presente na agenda da Empresa. Na elaboração do Agropensa, quando fizemos um exercício de olhar para os próximos vinte anos, ele apareceu com muita força", ressaltou.

O presidente explicou ainda que esse estudo de futuro deu origem ao VI Plano Diretor da Embrapa (PDE), cujo mapa estratégico traz, em seu segundo eixo de impacto, a necessidade de inserção competitiva da Empresa na bioeconomia. "O mundo terá grandes desafios nas próximas décadas, ligados principalmente a questões como energia, água, meio ambiente, saúde e superação da pobreza, entre outros, e a bioeconomia será fundamental para superálos", assinalou.

Na opinião de Lopes, a superação desses desafios passa pela conciliação entre o progresso e a sustentabilidade, o que é perfeitamente possível com a bioeconomia. "Não podemos mais pensar em agricultura só dentro da fazenda. A propriedade rural do futuro terá que ter uma interface com múltiplas indústrias, como a química, a de materiais, a de biomassa."

Para o presidente da Embrapa, a bioeconomia também fará com que a pesquisa agropecuária tenha que aprender a lidar com outras indústrias, como a farmacêutica. Ele citou o recente exemplo de uma pesquisa realizada em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF), o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês) e a Universidade de Londres. Esse trabalho conseguiu comprovar que sementes de soja geneticamente modificadas constituem, até o momento, a biofábrica mais eficiente e uma opção viável para a produção em larga escala da cianovirina – uma proteína extraída de algas –, muito eficaz no combate à AIDS.

Conceitos
Segundo o coordenador de Inteligência Estratégica da SIM, Édson Bolfe, a bioeconomia representa "uma visãode sociedade menos dependente de fontes fósseis e que fornece energia, serviços e produtos com valor adicionado, utilizando os recursos biológicos de forma sustentável".

"A Comissão Europeia define bioeconomia como a produção sustentável de recursos biológicos renováveis e sua conversão em alimento, ração, bioenergia e produtos elaborados a partir de material biológico; onde biomassa renovável inclui qualquer material biológico que pode ser usado como matériaprima", explica.

De acordo com Bolfe, a diferença entre a produção tradicional e a bioeconomia é que ela usa novos conhecimentos científicos e tecnologias emergentes para o desenvolvimento de processos com base biológica e para a transformação de recursos naturais em bens e serviços.

"A bioeconomia pode ser vista como uma oportunidade para enfrentar grandes problemas globais, como o aumento da população e da demanda por alimentos; as metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável, como diminuição da pobreza; e contribuir para mitigação e adaptação às mudanças climáticas", ressalta o coordenador.

Bolfe destaca ainda que a bioeconomia não está limitada à agricultura, mas envolve diversos setores industriais (como saúde, nutrição, química e materiais, e energia). "Ao invés da dicotomia entre agricultura e indústria, há um fortalecimento dessa relação, tornandoas
parte do mesmo processo. Temos que pensar em agricultores que, além de produzirem alimentos e fibras, também cultivam energia, plásticos e remédios", explica.

Para ele, o Brasil terá um importante papel nesse processo. "Já temos uma liderança na produção de biocombustíveis e também nos destacamos na geração de conhecimentos científicos e tecnológicos, sobretudo na agropecuária", enumera.

Oficina aponta desafios
A oficina temática abordou cinco variáveis que poderão influenciar o desenvolvimento da bioeconomia no Brasil: marcos regulatórios e políticas públicas; investimentos em C&T, recursos humanos e infraestrutura; estratégias e investimentos em bioindústrias; recursos naturais e meio ambiente; mercados e tendências de consumo.

O trabalho ocorreu em três fases. Na primeira, os participantes foram divididos em três grupos, um para cada tipo de "semente" de futuro: tendências de peso, incertezas e desafios. Na segunda fase, foi realizada uma plenária com todos os presentes para a definição das "sementes" que serão utilizadas no estudo.

Já na terceira fase, não presencial, os resultados serão consolidados pela organização da oficina e entregues na forma de um relatório. Esse material será parte integrante do processo de construção de cenários, disponibilizado no site da Plataforma Brasil 2100, e será o principal insumo para a redação final do projeto. 

Interação
Entre os desafios apontados pelos participantes da oficina destacam-se: aprimorar a integração das cadeias produtivas da bioeconomia em todos os seus elos, com foco na intensificação sustentável; incrementar os investimentos na transformação da biodiversidade em produtos e processos tecnológicos; e avançar nas legislações que regulamentam o acesso ao patrimônio genético e à proteção intelectual dos ativos da bioeconomia, com o intuito de fortalecer e dar maior celeridade ao processo de inovação tecnológica no Brasil.

"Essa oficina representa uma forma pela qual a SIM tem buscado a interação entre atores e agentes internos e externos à Embrapa no processo de delineamento de visões de futuro, cenários e estratégias", assinala Bolfe. De acordo com ele, o Agropensa desempenha papel importante nesta interação, potencializando a geração de conhecimento e soluções inovadoras para a agricultura brasileira.

Entrevista com Elaine Marcial, coordenadora da área de Estudos de Futuro do Ipea

Qual a importância desse trabalho em parceria com a Embrapa na realização desta oficina?
Sem dúvida a agricultura, o agronegócio, ou, olhando já mais para frente, a bioeconomia, faz parte da competência essencial do País. Isso é chave se a gente quer falar sobre desenvolvimento. E, principalmente, como essa oficina propõe, está voltada a olhar um degrau acima da agricultura, onde você vai poder trabalhar produtos com alto grau de valor agregado e que podem contribuir significativamente para o reposicionamento do País no mundo.

E como vai ser a agricultura do futuro?
A ideia é olhar permanentemente a longo prazo, mas o objetivo do trabalho não é dizer como vai estar a agricultura no futuro, mas sim que possibilidades a partir do hoje se abrem e que com essas possibilidades a gente possa fazer melhores escolhas e, principalmente, apostas. Porque o futuro é construído, não está dado. A gente não consegue hoje definir como o futuro vai ser, mas a ideia é que a gente consiga, em função dos sinais que o ambiente nos dá, fazer as apostas corretas para construir o futuro desejado.

Que desafios têm que ser superados para construir esse futuro?
Os desafios são muito grandes, principalmente o associado à educação. Nós vivemos numa sociedade do conhecimento, com grandes oportunidades, mas para isso é preciso construir uma sociedade com um nível educacional maior. Mesmo na agricultura, não adianta nada a Embrapa desenvolver alta tecnologia se o produtor não consegue aplicar aquele conhecimento na sua fazenda, principalmente nas pequenas propriedades, onde eu imagino que o nível educacional seja mais baixo ainda. A tecnologia ganha espaço numa sociedade bem educada, onde você pode ter efetivamente eficiência e grandes retornos.

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