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Projeto Brasil 2035: reunião de notáveis avalia os cenários elaborados

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Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

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Com o objetivo de avaliar os cenários construídos no âmbito do Projeto Brasil 2035, houve, no dia 22/11, uma reunião com especialistas em diferentes áreas do conhecimento, buscando contribuições para que a equipe do projeto fizesse os ajustes necessários aos cenários.

Estiveram presentes o ex-ministro da Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, embaixador Ronaldo Sardenberg, e Frederico Fleury Curado, ex-presidente da Embraer e membro de conselhos de administração de grandes empresas internacionais, como a ABB. Também participaram do debate João Ricardo dos Santos Costa, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Brigadeiro Antônio Coutinho, da Escola Superior de Guerra, Ludmila Nascimento, gerente de Estratégia da companhia Vale do Rio Doce, General Carlos Bolívar Goellner, assessor especial do ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Pedro Bertone, diretor-geral da Imprensa Nacional, Ariel Pares, diretor no Ministério das Cidades, além do embaixador Sérgio Florêncio, diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea.

Foram quatro os cenários apresentados. O primeiro cenário supõe um Estado que não reforçou sua capacidade de gestão e planejamento e responde sempre focado no curto prazo, de modo que não consegue reestruturar a matriz econômica do país, que segue baseada nos setores tradicionais comandando a economia. Assim, o agronegócio é a tônica, mesmo com ilhas de excelência tanto no setor econômico quanto no setor privado. A previsão é da presença forte de atores internacionais, e de uma crise fiscal que gera exclusão, violência e pobreza.

O cenário seguinte prevê que o crescimento econômico tornou-se prioridade do governo brasileiro, mas o avanço não foi distribuído a todos. A agenda político-econômica permitiu a elevação significativa das taxas de investimentos, integrando Estado, mercado global e setor produtivo nacional. A dívida social foi colocada em segundo plano, provocando cada vez mais tensões sociais. O sistema de planejamento volta-se para o setor produtivo, a curto e médio prazo. A saúde e a educação não serão prioridade e, com urbanização desordenada, gerarão insatisfação e revolta popular.

No terceiro cenário, levou-se em conta uma priorização no desenvolvimento social, que trouxe um crescimento moderado da economia. Esse cenário incita a crise político-econômica, com manifestações sociais. Com a tecnologia, o indivíduo terá ainda mais poder de se organizar pelas mídias sociais, levando a um engajamento social para que se faça a cobrança de políticos e governantes. O cenário internacional será de instabilidade, podendo gerar um processo de desglobalização em um sentido geopolítico.

O último cenário concilia o desenvolvimento social e econômico, baseando-se principalmente no fortalecimento do planejamento de longo prazo, assim se estruturando de forma lenta em um processo sustentável. Isso resulta em uma maior coordenação duradoura entre os investimentos públicos e privados na construção das bases de uma sociedade mais dinâmica e inovadora. Neste cenário, ao chegar 2035, deixaríamos de ser presidencialistas e nos tornaríamos parlamentaristas. Saímos do foco no agronegócio para entrar em um nível de produção mais ampla de criação de produtos ligados à a bioeconomia, dando um salto na competência do país, viabilizando inovações. Entretanto, não alcançaríamos o crescimento esperado, pois os problemas são complexos para serem diminuídos nesse período de tempo.

“Acredito que essa discussão é relevante e que um passo importante seria convencer os formadores de opinião a pensar além de um Plano Plurianual”, comentou o Brigadeiro Antônio Carlos Coutinho.

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